Portugal está perto de alcançar a marca dos 20 cabos submarinos de telecomunicações aterrados no seu território, uma infraestrutura crítica para a ligação de tráfego de dados entre a Europa, a América e África.
A ancoragem destas autoestradas de fibra ótica garante latência reduzida e largura de banda, mas o tráfego submarino é apenas o meio de transporte. A retenção de valor económico não reside na simples passagem dos dados pelo território, mas na capacidade de fixar em solo nacional os mega centros de dados, a infraestrutura de nuvem e o processamento de inteligência artificial.
A conversão desta posição geográfica em capacidade computacional efetiva depende de fatores terrestres. A atração de investimento direto para grandes centros de dados exige energia renovável estável, capacidade de acesso à rede elétrica e processos céleres de licenciamento industrial.
Sem o alinhamento direto entre a amarração dos cabos e a infraestrutura energética em terra, a conectividade serve apenas para canalizar tráfego rumo a outros polos do mercado europeu.

