Diogo Pereira Duarte, sócio da Abreu Advogados, alertou que Portugal corre o risco de ficar para trás na reforma financeira digital. A razão apontada é a ausência de uma estratégia nacional clara e a burocracia excessiva das autoridades de supervisão, mesmo com a regulamentação europeia, como o AI Act, já em vigor.
Esta é uma nota importante que nos obriga a olhar para a capacidade de Portugal em transformar diretivas europeias em valor prático. Não se trata apenas de transpor legislação; a questão central é a agilidade na implementação e a proatividade na adaptação. Se a regulamentação existe, mas a inação política e a inércia burocrática persistem, o país arrisca-se a perder uma janela de oportunidade para a competitividade e o investimento tecnológico no setor financeiro. O desafio não está na falta de enquadramento, mas na execução da visão.
A verdadeira vantagem competitiva, neste cenário, não será de quem tem a melhor tecnologia — porque essa se democratiza —, mas de quem consegue criar o ambiente regulatório e operacional mais eficaz para a sua adoção. Ignorar esta urgência é hipotecar não só a modernização do setor financeiro português, mas também a capacidade de atrair e reter talento e capital num mercado global cada vez mais digital e ágil.

