A companhia aérea australiana Qantas iniciou negociações com a Accenture no âmbito do projeto interno 'Project iQ', que prevê a automação e eventual deslocalização de até 1.000 funções corporativas. A reestruturação abrange equipas de finanças, recursos humanos e marketing, com o objetivo de substituir e reorganizar processos operacionais através de ferramentas de inteligência artificial.

A decisão da Qantas ilustra uma mudança clara no tratamento da tecnologia nas grandes empresas: a inteligência artificial deixa de ser encarada apenas como um teste isolado de produtividade e passa a servir de justificação para reestruturações operacionais de fundo. Ao associar a automação a uma consultora global, o projeto funde a adoção de software com o modelo tradicional de externalização de serviços (BPO).

Em departamentos como finanças ou recursos humanos, o ganho de eficiência raramente resulta do algoritmo isolado. A redução de custos consolida-se quando a tecnologia obriga à padronização de tarefas repetitivas, permitindo concentrar a operação remanescente em estruturas externas ou equipas mais reduzidas.

O resultado final deste tipo de transição mede-se na capacidade de retenção do conhecimento do negócio. Quando o back-office é automatizado e transferido para parceiros externos a esta escala, o risco principal desvia-se da tecnologia para a gestão da mudança e para a dependência operacional do ecossistema de fornecedores.