Uma reportagem do programa Linha da Frente, da RTP, documentou o aumento da utilização de ferramentas de inteligência artificial para apoio pessoal e gestão de ansiedade em Portugal, com especialistas em saúde mental a alertarem para os riscos éticos e a ausência de acompanhamento clínico.
A adesão a estes sistemas não resulta de recomendação médica, mas da conveniência de uma resposta imediata, sem custo e sem lista de espera. Quando uma interface de conversa passa a funcionar como primeira linha de apoio emocional, a tecnologia deixa de ser apenas um utilitário digital e passa a preencher uma falha estrutural no acesso aos cuidados de saúde.
Para quem desenvolve software e define políticas públicas, a resposta não pode ficar retida em avisos genéricos de isenção de responsabilidade. Exige desenhar os produtos com limites explícitos de interação e protocolos automáticos de encaminhamento clínico, transformando a resposta sintética num ponto de triagem responsável em vez de um substituto do diagnóstico real.

