Sam Altman, CEO da OpenAI, defende a criação de um fórum internacional, liderado pelos EUA, com o objetivo de definir normas de segurança para a inteligência artificial e assegurar o acesso global aos modelos mais avançados.

Esta proposta, embora apresentada como um caminho para a "segurança para todos", sinaliza uma estratégia mais profunda de centralização do poder regulatório. Não se trata apenas de estabelecer balizas éticas ou técnicas; é uma tentativa de moldar a arquitetura da governança da IA à escala global, com os EUA na liderança. Ao propor um fórum que dita as regras e, simultaneamente, garante o acesso aos modelos mais avançados, Altman posiciona a OpenAI e, por extensão, os interesses americanos, no centro de uma futura oligarquia tecnológica. A questão deixa de ser se a IA será segura e passa a ser quem define essa segurança, e com que agenda.

Para Portugal e para a Europa, a implicação é clara: é preciso ir além da discussão abstrata sobre os perigos da IA e focar na construção de capacidade e influência regulatória própria. Aceitar passivamente um modelo de governança imposto, mesmo que sob o pretexto da segurança, é ceder soberania tecnológica e limitar o nosso espaço de inovação. A prioridade não é apenas adotar as melhores práticas, mas participar ativamente na sua conceção, garantindo que os nossos valores e ambições económicas são representados. De outra forma, seremos meros consumidores de tecnologia e de regras, em vez de cocriadores do futuro digital.