A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) vai organizar o InovaSup Day 2026, uma iniciativa desenhada para identificar e integrar soluções de inteligência artificial capazes de otimizar a fiscalização do setor. O foco imediato está na deteção automática de cláusulas abusivas em contratos e apólices, acelerando um processo de revisão que historicamente consome recursos humanos significativos.
Esta decisão do regulador financeiro altera a dinâmica tradicional de compliance em Portugal. Ao adotar ferramentas de processamento de linguagem natural para auditar documentos em larga escala, a ASF deixa de fazer uma amostragem reativa para passar a exercer uma monitorização contínua e sistemática. O regulador assume aqui o papel de adotante tecnológico ativo, demonstrando que a eficiência operacional do Estado pode avançar ao mesmo ritmo que a inovação do setor privado.
A transição para uma supervisão algorítmica inverte o ónus da preparação tecnológica no mercado segurador. As empresas do setor já não podem encarar a IA apenas como uma ferramenta interna de otimização de custos ou de captação de clientes; passam a ter de alinhar os seus próprios sistemas de verificação com o crivo automatizado do supervisor. Quando a fiscalização se torna digital e instantânea, a capacidade de resposta das seguradoras terá de ser igualmente automatizada, sob pena de ficarem expostas a processos de contraordenação em tempo recorde.
Este movimento cria um precedente claro para outras autoridades administrativas nacionais. A validação de contratos através de modelos de linguagem estabelece uma nova framework de atuação pública, onde a tecnologia é usada para garantir a equidade do mercado antes mesmo de surgirem os litígios.

