A suspensão do acesso a modelos de inteligência artificial da Anthropic, decretada por Washington por motivos de segurança nacional, motivou um pedido de explicações do Japão. A ministra das Finanças japonesa, durante a visita de Sam Altman a Tóquio, questionou os Estados Unidos sobre uma decisão que afetou clientes em todo o mundo.
Este episódio sublinha a crescente tensão geopolítica na corrida pela IA e, mais especificamente, a forma como a segurança nacional se sobrepõe rapidamente à liberalização tecnológica. Não se trata apenas de regular a tecnologia em solo doméstico, mas de uma projeção de poder que afeta cadeias de valor e a capacidade de inovação de nações aliadas. A dependência de infraestruturas e modelos de IA desenvolvidos em jurisdições externas é um risco estratégico que Portugal e a Europa não podem ignorar.
A verdadeira questão não é se devemos regular, mas como construir uma soberania tecnológica que permita a empresas e governos nacionais operar e inovar sem estarem à mercê de decisões unilaterais de outras potências. A Europa tem uma oportunidade única para investir em modelos de IA abertos e em infraestruturas computacionais próprias, criando um ecossistema que garanta resiliência e competitividade. A alternativa é aceitar uma condição de utilizador passivo, sujeito a interrupções abruptas e restrições que podem comprometer a nossa própria segurança e capacidade de crescimento. É tempo de passar de consumidor a construtor ativo neste novo cenário tecnológico.

