A União Europeia lançou um concurso de 10 mil milhões de euros para adquirir capacidade de cálculo em até sete gigafábricas de inteligência artificial. A medida visa assegurar o acesso a supercomputação de grande escala para centros de dados, empresas e investigadores no espaço europeu.

A escolha deste modelo de contratação altera a forma como o apoio público à tecnologia é estruturado. Em vez de limitar a intervenção a subsídios de construção de infraestrutura, a Comissão Europeia assume a posição de cliente âncora ao reservar e pagar por capacidade de processamento. Este formato reduz o risco dos operadores de infraestrutura, garantindo que o investimento tem procura assegurada desde o primeiro dia.

Para o tecido empresarial e científico, a utilidade desta capacidade reservada depende da prontidão técnica dos projetos candidatos. Disponibilizar horas de cálculo em supercomputadores só gera retorno se as equipas dispuserem de modelos e arquiteturas de dados preparados para tirar partido dessa escala.

No cenário português, o acesso aos lotes comunitários coloca a tónica na capacidade de execução. A valia da medida para os centros de investigação e empresas nacionais será medida pela capacidade concreta de submeter projetos aptos a consumir a potência computacional assim que os recursos ficarem operacionais.