A Universidade de Aveiro aprovou um referencial para a utilização de inteligência artificial no ensino superior, estabelecendo orientações éticas e pedagógicas para a integração destas ferramentas nas disciplinas. A aplicação do documento apoia-se numa comunidade de prática que reúne mais de 120 professores da instituição, dedicada à partilha de metodologias e à definição de critérios pedagógicos.
A eficácia de um regulamento académico sobre inteligência artificial não reside na declaração de intenções éticas, mas na capacidade de evitar a proibição inútil e a adesão acrítica. Documentos institucionais tornam-se rapidamente obsoletos quando tentam antecipar cada software específico, em vez de definirem princípios de avaliação para quem ensina.
Ao cruzar a norma formal com a adesão direta de mais de uma centena de docentes, a Universidade de Aveiro transfere o centro da decisão para o terreno pedagógico. É a transformação dos métodos de avaliação em sala de aula, e não o texto do referencial, que determinará se a tecnologia serve para elevar a exigência académica ou apenas para automatizar tarefas.
O sucesso da iniciativa dependerá da agilidade com que esta comunidade de professores consegue adaptar os critérios de ensino à velocidade de evolução dos modelos de linguagem. Sem uma atualização contínua das práticas de avaliação, qualquer enquadramento normativo arrisca ficar desfasado do uso quotidiano dos estudantes.

