Demis Hassabis, CEO da Google DeepMind, abordou recentemente o cronograma para a Inteligência Artificial Geral (AGI) e o papel da IA na descoberta de novos medicamentos. A oncologia e a imunologia surgem como as áreas de foco inicial para a aplicação destas tecnologias.

Esta discussão, embora ambiciosa, sublinha uma tensão fundamental: a Google não precisa apenas de ter os modelos mais avançados; precisa de os integrar de forma tão fluida que se tornem a camada invisível de produtos que milhões de equipas já utilizam diariamente. A verdadeira corrida não é só técnica, é pela ubiquidade.

As previsões de Hassabis sobre a AGI e o avanço da IA na medicina são, sem dúvida, relevantes para a comunidade de IA em Portugal, delineando potenciais vetores de investigação e desenvolvimento. Contudo, o que muitas vezes se ignora é a mecânica da adoção.

Quando a inteligência artificial surge embutida na pesquisa do Google, na edição de vídeo ou nas ferramentas de trabalho colaborativo, a concorrência deixa de ser meramente uma disputa algorítmica. Torna-se uma batalha pelo hábito, pela inércia do utilizador que não precisa de mudar de ferramenta ou de fluxo de trabalho para aceder à inovação. A capacidade de tornar a IA uma funcionalidade default dentro de um ecossistema existente, e não uma aplicação à parte, será o verdadeiro diferenciador.

Será que a Google conseguirá capitalizar a sua vasta base de utilizadores para cimentar esta posição, ou a complexidade de transformar previsões de AGI em funcionalidades tangíveis e integradas vai dar espaço a novos intervenientes?