A inteligência artificial está a ser aplicada na identificação de fármacos para doenças neurodegenerativas, como a esclerose lateral amiotrófica (ELA). Investigadores utilizam a IA para acelerar o processo, procurando não só medicamentos eficazes, mas também acessíveis e com custos viáveis para os sistemas de saúde e os doentes.

Esta abordagem sublinha uma mudança de foco. A capacidade da IA para analisar dados e simular interações moleculares já não é a novidade, pois isso era um desfecho esperado. O ponto de viragem reside na prioridade dada à acessibilidade e ao custo, variáveis que se tornam tão críticas quanto a própria eficácia do tratamento.

Um fármaco, por mais inovador que seja, terá um impacto limitado se a sua utilidade real e adoção em larga escala estiverem condicionadas pela inviabilidade económica. Esta preocupação sugere que a corrida tecnológica na saúde, impulsionada pela IA, integra agora a viabilidade económica como um fator central desde as fases iniciais da investigação.

Para decisores e empreendedores, isto implica que a inovação disruptiva não pode ser pensada isoladamente do seu custo de implementação. Sem a inclusão de modelos de custo-benefício desde o início, o avanço tecnológico arrisca-se a criar soluções para poucos, perdendo o potencial de impacto social mais abrangente.