Um inquérito da Gartner a cerca de 400 executivos revela que 55% dos Chief Supply Chain Officers não conseguem demonstrar o retorno financeiro dos investimentos em inteligência artificial. Contudo, a incerteza não travou a despesa: 67% das verbas dedicadas a tecnologia nas cadeias de abastecimento continuam alocadas a soluções de IA.

A disparidade entre a alocação de capital e a capacidade de medição expõe um desfasamento na gestão destas operações. Quando dois terços do orçamento de tecnologia vão para ferramentas cujo impacto financeiro a maioria dos responsáveis não consegue provar, o investimento corre o risco de responder à pressão de adoção do setor e não a critérios rigorosos de eficiência.

Na cadeia de abastecimento, onde o valor se mede em margem e tempo, a validação de sistemas de IA exige métricas diretas sobre custos operacionais, otimização de stock ou rigor de previsão. Sem a definição prévia destes indicadores, a implementação de algoritmos tende a estagnar em projetos piloto permanentes, mantidos pela expetativa de ganhos em vez de dados concretos no balanço.

A prioridade para a liderança operacional não passa por travar a tecnologia, mas por condicionar a libertação de verbas a metas mensuráveis na operação. A utilidade da IA na distribuição depende menos da sofisticação do modelo e mais da capacidade de isolar o seu efeito financeiro nos processos diários.